DIVERSIDADE
NA POPULAÇÃO
O
quarto problema em definir e recensear os “sem-lar” mentalmente
doentes que residem no extremo da diversidade de seus membros (Wright
1989) ou “dentro da variação do grupo”. Muito da
literatura corrente concorda que os “sem-lar” em geral (e também
pessoas mental e cronicamente doentes em geral), indivíduos
“sem-lar” mentalmente doentes não são uniformemente
diagnosticados, demograficamente em termos de suas histórias de residências
ou tratamentos, não certamente em termos de suas necessidades de
tratamento. Esta situação dificulta a dedução das características
comuns de toda a população.
Deste
modo, uma evolução dos cinco programas de indivíduos
“sem-lar” mentalmente doentes, em toda Nova York , revelou que
cada um serve um subgrupo de população distinta (Barrow e outros
1989). De fato, como notamos na primeira tarefa de reportagem (Bachrach
1984a) as pessoas “sem-lar” mentalmente doentes não constituem
nem mesmo um grupo uniforme em aparência. O projeto HELP, um
programa sem alcance, que tem dado um mandato que serve na maioria,
severamente pessoas psiquiatricamente incapacitadas que trabalham,
podem localizar-se nas ruas de Nova York, oferecem esta descrição do
alvo de sua população:
“Indicadores
primariamente visuais incluem uma sujeira extrema e uma aparência
desalinhada; feridos, sujos, ou roupas amassadas; roupas inapropriadas
para o tempo (casacos de lã pesados e chapéus de lã em meio-verão
e sem casacos em meio-inverno); e uma coleção de pertences em malas,
caixas, ou carrinhos de shopping. Indicadores de comportamento primário
incluem caminhar no tráfego, urinar ou defecar em público, mentindo
em meio a uma calçada lotada ou permanecendo mudos e abandonados.”
(Cohen e outros 1984, p.922).
Embora
esta descrição familiar reforce um estereótipo comum de
pessoa inteiramente considerada como o protótipo do “sem-lar” e
mentalmente doente, pode ser contrastado com uma descrição de Reich
e Siegel (1978) de um outro subgrupo de pessoas de rua mentalmente
doentes na cidade de Nova York:
“A
maioria desses homens são inteligentes e tem melhor educação do que
o usual encontrado no Bowery. Eles apresentam uma aparência
consideravelmente intacta mesmo estando sob severo sofrimento de distúrbio
interno e deste modo podem evitar uma hospitalização necessária
mesmo quando sua situação desestabiliza e há uma ameaça de
estourar a violência”. (pp.195-196)
Várias
reportagens legíveis reconhecem a diversidade dos “sem-lar” e da
população mentalmente doente. Contudo, poucos falam eloqüentemente
como Pia Mckay (1987), uma mulher “sem-lar” esquizofrênica que
mora em Washington, DC:
“Em
meu ponto de vista, o grande problema das pessoas em tentar ajudar
o” sem-lar” é que eles esperam, ou tem esperança que uma única
solução resolverá todos os nossos problemas. De fato, a solução
para cada um de nós pode significar o desastre do outro. O
baixo custo da habitação, por exemplo, é uma idéia
maravilhosa para muitos de nós. Ainda que a ‘solução’ não
fosse mais do que um gesto sentimental para as mulheres que
jogam rolos de papéis do banheiro, ou esquecem de tomar seus tranqüilizantes,
ou arrancam as portas das geladeiras”.
VARIAÇÕES
NO TEMPO E NO ESPAÇO
Por
último, mas não de qualquer maneira, é difícil definir e recensear
os “sem-lar” e a população mentalmente doente por causa de seus
membros que exibem considerável variação geográfica e temporal
(Bachrach 1987). Embora estes indivíduos sejam freqüentemente
associados à cidade, eles também são encontrados em áreas rurais,
e distritos remotos, (Bacharach 1986; Instituto de Medicina 1988;
Jones 1986, Patton 1987; Roth e Bean 1986). Variações na duração
da desabitação dos “sem-lar” ajudam para a confusão:
“homelessness” pode ser quase temporária, ou pode ser mais ou
menos uma circunstância permanente. Várias pesquisas reportam ter
distinguido entre “pessoas permanentes” das ruas e indivíduos que
são episodicamente “sem-lar” (Appleby e Desai 1987; Arce e outros
1983; Drake e outros 1989; Roth e Bean 1986; Sosin e outros 1988).
Além
disso, a população varia em sua prática de movimento comercial
diurno dentro das áreas geográficas definidas. Algumas pessoas moram
mais ou menos, constantemente em um lugar, às vezes, tão pequenos
quanto uma pequena cidade de blocos. Outras, contudo, enquanto
permanecem essencialmente em uma única vizinhança, são mais difíceis
de localizar, porque elas se ramificam tanto quanto os abrigos e
outros serviços que se tornam razoáveis para elas, ou as suas
necessidades específicas para a subsistência e as mudanças de
cuidado de saúde. Alguns abrigos contribuem para este tipo de
movimento pela imposição de um limite de tempo no número das noites
que um indivíduo está permitido a permanecer na residência (Kates
1985). Uma variante de tal local de migração é ilustrada no caso do
chamado metrô do “sem-lar” na cidade de Nova York (Pitt 1989):
pessoas que regularmente se juntam nos trens do metrô no World Trade
Center na baixa Manhattan e andam até o final da linha no Queens.
A viagem finaliza em 1 hora e 50 minutos, representa para muitas
pessoas sua única oportunidade de conseguir dormir um pouco e evitar
o frio (Verhovek 1988).
Um
terceiro tipo de mobilidade afeta a população “sem-lar”
mentalmente doente que preocupa a migração além das áreas de
intensa demografia. Embora vários indivíduos pareçam
permanecer na mesma área geográfica geral (Benda e Dattalo 1988;
Rosnow e outros 1986), alguns se mudam extensivamente entre regiões
dos Estados Unidos. O estudo de Tucson do “sem-lar” doente
mostrou que os homens “sem-lar” referem-se às telas-de-cinema
psiquiátricas em um público geral de um quarto de emergência de um
hospital, em média moravam na área de Tucson somente por 5 meses.
O mesmo estudo tem mostrado que a média para mulheres é menor do que
um mês (Bacharach e outros 1988). Há também reportagens do
Hospital do Estado de Montana, localizado na Warm Springs rural, que
indivíduos mentalmente doentes de todas as partes do país chegam lá
voluntariamente e podem ser recebidos em breves estadias. Eles
dormem uma ou duas noites e comem um pouco antes de ser mandados para
os seus lugares (Bachrach 1988 c).
A
mobilidade acima das amplas áreas demográficas é agora reportada
pelos indivíduos “sem-lar” e mentalmente doentes no distrito de
Colúmbia e um número de estados diferentes, incluindo Arizona, Califórnia,
Colorado, Hawai, Virgínia, Washington e Wisconsin (Bachrach 1989,
Blaska 1984; Brown e outros 1983; Chambers 1986; Chmiel e outros 1979;
Cidadãos em União por Shelter 1983; Cleveland 1990 ; Kimura e outros
1975; Recursos Humanos da União do Município de Settle-King;
Streltzer 1979, van Winkle 1980). Mesmo o Alaska não está
imune (Bachrach 1986).
Estas
migrações crescem em padrões que são às vezes reforçados - e em
alguns casos, talvez ainda precipitados - por certas práticas
informais. Por exemplo, há reportagens de indivíduos “sem-lar”
mentalmente doentes que são recrutados em fluxos temporariamente
migrados, transportados além das distâncias consideráveis dos
locais de trabalho e, então, após trabalhos agrícolas terminados e
realizados para desviar de áreas das quais eles foram tirados (Henry
1983; Herman 1979). Similarmente há documentação para uma prática
ironicamente referida como terapia de Greyhound (Cordos 1984; van
Winkle 1980) fornecendo às pessoas “sem-lar” mentalmente doentes
uma única parada de viagem fora da cidade aparentemente, porque elas
pertencem a algumas áreas de represamento e não intituladas a locais
de serviços.
Juntas,
estas três fontes de mobilidade aumentam consideravelmente as
dificuldades em definir e recensear a população dos “sem-lar”,
uma situação que distingue dos sons harmônicos políticos. Esta é
uma verdade especialmente no caso do aumento da mobilidade geográfica
a qual inevitavelmente está ligada às expectativas dos serviços
fornecidos aos indivíduos, os quais pertencem aos lugares.
Alguns sustentadores desejam expandir sua base em serviços para
humanidade por razões financeiras que podem descrever a mobilidade da
população. Outros, contudo, podem exagerar nisso como um meio de
reduzir suas manobras, e são assistidos pelo esforço da prática de
captação.
Deste
modo, é dificilmente surpreendente que a pesquisa literária contenha
reportagens que minimizem efeitos do movimento geográfico. Um estudo
de ST. Louis, concluiu que embora 56% dos indivíduos
“sem-lar” usem abrigos de emergência e que morem fora da cidade
durante um breve ano, 22% morariam somente em uma outra cidade e 90%
somente em duas outras cidades (Morse e outros 1985). Os encarregados
concluíram, com base nestes dados, que “a vasta maioria dos
‘sem-lar’ deveria ser considerada residente permanente de St.
Louis”. Similarmente, pesquisadores em Ohio concluíram que
desde que 64% da população de “sem-lar” já tenha nascido nos
municípios onde corretamente reside ou já tenha vivido lá por mais
de um ano, o estado da população de “sem-lar”, não deveria ser
observado como “altamente transitório” (Roth e Bean 1986).
Um estudo em Baltimore concluiu que desde que 60% dos
desabrigados das pessoas “sem-lar” tivessem morado naquela cidade
por 10 anos ou mais tempo, a população seria essencialmente
“nativa”, não “transitória”. (Fischer e outros 1986).
Um
estudo pode concluir que tais afirmações sobre a mobilidade são de
importância insignificante. Contudo, tal interpretação poderia ser
falha, por isto é razão questionar se as porcentagens brutas são
indicadores apropriados de outra necessidade médica ou um impacto do
sistema. Geograficamente os indivíduos móveis que constituem minoria
numérica podem também ser desproporcionalmente representativos
daqueles na população que são a maioria severamente incapaz. Quem
dirá se 36%, 40%, ou 44% constitui uma fração significativa daquela
população?
O
perigo de reduzir o potencial de um serviço de distribuição por
problemas de hierarquias numéricas está ilustrado em um estudo
de utilização de pessoas com esquizofrenia. Embora somente 1%
da população americana sofra de esquizofrenia em um certo tempo, 40%
cuida da doença em longo prazo e 25% de todas as camas do hospital
seriam utilizadas por indivíduos com este diagnóstico (Talbott e
outros 1986).