DEFININDO O UNIVERSO
As
limitações inerentes em definir e contar a população “sem-lar”
mentalmente doente leva à conclusão que estamos lidando com uma
situação semelhante a um longo e complexo quebra-cabeça (Bacharach
1984b). Freqüentemente, um e outro estudo oferecem uma descrição válida
de um pedaço do quebra-cabeça e ocasionalmente, dois ou três pedaços
parece que se encaixam. Mas a linha base é que não pode realmente
completar o quebra-cabeça porque somos incapazes de estabelecer um
perímetro.
Nem podemos ser capazes de fazer isso até termos concordado
com o esboço do quebra-cabeça em adotar uma definição mais ou
menos padronizada da população.
Tal como uma definição requereria ambas um conceito complexo
e um modelo estatístico (Burnam e Koegel 1988) e uma habilidade em
reduzir os parâmetros da população para uma linguagem simples.
Se
algo, nesta situação torna-se mais difícil, isto foi anteriormente
notado pela ênfase de reportagem (Bachrach 1984a).
Com um aumento substancial na literatura as programações da
população dos sem “sem-lar” mentalmente doentes vêm sendo
incrivelmente variadas - uma situação que torna ainda mais difícil
de comparar as descobertas através dos estudos (Burt e Cohen 1989).
Em virtude de a população ser tão diversa, e porque nós realmente
não sabemos mesmo como caracterizá-la, devemos nos guardar contra as
descrições não garantidas que simplifiquem demais as dimensões ou
minimizem os serviços prestados.
Por
exemplo, algumas das pesquisas existentes revelam diferenças
substanciais entre homens e mulheres “sem-lar” mentalmente doentes
em relação a sua demografia, histórias de tratamento e serviços
prestados (Bachrach 1987, 1990a;
Bachrach e outros 1988; Crystal 1984; Santiago e outros 1988).
Há também uma razão para supor que as pessoas “sem-lar”
mentalmente doentes vivam em diferentes abrigos daquelas que vivem nas
ruas ou daquelas que apareçam em hospitais gerais nos quartos de
emergência (Gelberg e Linn 1989; Koegel e outros 1986). O Estudo
de Tucson dos “sem-lar” mentalmente doentes mostrou por
exemplo, que os homens são mais fortemente representados do que as
mulheres nas ruas numa população de indivíduos “sem-lar
mentalmente doentes, mas que as mulheres são representadas em um
número maior do que os homens em uma população refugiada (Bachrach
e outros 1990).
Deste
modo, quando as pessoas procuram uma estimativa numérica da prevalência
da doença mental na população “sem-lar”, elas estão freqüentemente
perguntando o que é isto, e no momento atual, isto é virtualmente
impossível de se responder. Estimativas atuais das comunidades de
toda a parte dos Estados Unidos geralmente partem de um terço a um
meio do total da população “sem-lar” (Escritório Geral de
Contabilidade 1985).
Mas isto é imediatamente claro para aqueles que têm observado
o problema em diferentes partes do país em que há lugares onde 90%
ou mais da população “sem-lar” são mentalmente doentes, assim
como há outros lugares, particularmente as facilidades ou vizinhanças
que regulam seus balanços efetivamente , onde provavelmente não mais
do que 5% são mentalmente doentes.
E se nós cuidássemos do fato que o “novo pobre” entre a
população “sem-lar” está aparentemente crescendo muito
rapidamente em vários lugares (Hope e Young 1986), a questão de qual
a porcentagem de pessoas mentalmente
doentes entre os “sem-lar” pode bem se apresentar como uma
“não questão” dos anos 90.
Desta
maneira, a resposta à primeira questão - Qual a porcentagem da
população “sem-lar” é crônica e mentalmente doente? - deve
ser: “Depende”.
A porcentagem depende inteiramente de como uma define a população
e em qual parte da população está o ângulo visual.
Na
verdade, esta questão pode não ser sempre a questão que as pessoas
desejam perguntar depois de tudo, por isto é freqüentemente
confundida com a segunda pergunta que reverte o numerador e o
denominador.
Deste modo, embora a maior parte da literatura corrente esteja
preocupada em estabilizar a ocorrência dos doentes mentais entre a
população dos “sem-lar”, uma outra parte um pouco menor,
focaliza-se na ocorrência dos “sem-lar” entre uma população de
indivíduos mentalmente doentes (Belcher e First 1987 - 1988; Drake e
outros 1989; Mowbray e outros 1987). Embora a diferença entre eles
seja também freqüentemente negligenciada (Bachrach 1984b), estas são
questões epidemiológicas inteiramente diferentes das implicações
distintivas ao planejamento do serviço.
Isso
é alguma coisa fácil de responder à ocorrência da questão quando
o numerador e o denominador estão reservados e a questão alternativa
é colocada?
Não é evidente.
Morrison (1989) classificou um grupo de pacientes em São
Francisco de acordo com as definições dos “sem-lar” selecionados
da pesquisa de literatura e encontrou que, dependendo da definição
empregada, as taxas de variação passam de 22% a 57% dos indivíduos
mentalmente doentes - uma descoberta que levou o pesquisador a
concluir que “homeless é sem dúvida um conceito unitário; a
definição é a chave.” (p.953)
A
QUESTÃO DA DESINSTITUCIONALIZAÇÃO
Nós
tratamos melhor a questão com a política, “Qual é a relação
entre a desinstitucionalização e os “sem-lar” entre as pessoas
mentalmente doentes?” do que com a questão epidemiológica?
Aparentemente nenhuma, de uma vez por todas a melhor resposta está
limitada pelos interesses semânticos e conceituais. E mais uma vez a
melhor resposta parece ser um equívoco. Exatamente como aos termos
“homeless” e “doenças crônicas mentais”, ao termo
“desinstitucionalização” faltam definições padronizadas, deste
modo abertos a várias interpretações; e é bom reconhecer pelo
menos três aspectos teoricamente distintos da desinstitucionalização
em algumas análises desses efeitos.
Primeiro,
a desinstitucionalização é um fato, uma série de objetivos de
eventos manifestados em um mudança maciça em focalizar a proteção
de pacientes crônicos mentais. Estimativas não-publicadas do
Instituto Nacional de Saúde Mental revelam que há alguns pacientes
correntemente 103.000 que estão em hospitais de estado mental em um
único dia -
uma redução dramática em relação
aos 559.000 registrados em 1955.
Ainda mais surpreendente é a queda das taxas de
pacientes-residentes.
Em 1955, 339 de todas as 100.000 pessoas morando nos Estados
Unidos, residiam como pacientes em estados de hospitais mentais.
Hoje, a população da nação base aumentou cerca de 250 milhões
(de 165 milhões em 1955) e somente 41 dessas 100.000 pessoas
residem em hospitais de estado mental em um único dia.
Contudo,
a desinstitucionalização é também uma filosofia com raízes no pós
– II Guerra Mundial da América, quando uma variedade
de protestos aos direitos civis foram ganhos vantajosos de
ajuda generalizada.
Anteriormente a essa história, a desinstitucionalização
refletiu o otimismo de uma era dominada pela forte crença que o mundo
poderia oferecer um lugar melhor através da ação social positiva.
Pacientes mentais crônicos foram vistos como vítimas de condições
inumanas dentro dos hospitais de estado mental, e houve uma convicção
que o centro comunidade-básica ofereceria a eles uma alternativa mais
terapêutica e mais humana. Estas idéias foram, claro, reforçadas
por nossa expansão de habilidade de conter mais pacientes com
sintomas muito mais evidentes através de avanços farmacêuticos;
para os pacientes foi o começo de parecer menos doentes do que eles
tinham estado no passado.
Este
idealismo foi acoplado a uma outra corrente filosófica que esteve
preocupada com a redução dos custos de ajuda para as pessoas
mentalmente doentes. Como resultado, a desinstitucionalização da
filosofia rapidamente veio a representar uma união de ideologias: um
casamento de tais “companheiros de quarto” inesperados como
fiscais reformados e reformas sociais.
Além do mais, a habilidade dessas facções originalmente
antagônicas concordam com objetivo de mudar, em primeiro lugar, que a
ajuda fosse essencial à aceitação generalizada da
desinstitucionalização como um conceito e para muitos esforços rápidos
montados para implementar aquele conceito.
Terceiro,
a desinstitucionalização é um processo, no qual reflete uma mudança
social profunda e extensa: um movimento longe de uma orientação de
cuidar do paciente para outro que seja radicalmente diferente. Isto,
deste modo implica em uma série de acomodações e deslocamentos nos
limites entre agências de serviço de entrega e distribuição que,
surpreendentemente, tem generalizado o desequilíbrio severo no
sistema de ajuda. O processo exato da mudança tem, de fato, criado
seu próprio monumento, então aquela desinstitucionalização agora
envolve todos os elementos do sistema de serviço de saúde mental e
todos os indivíduos que recebem cuidados, ou são rejeitados por ela,
naquele sistema.
Como
um processo, a desinstitucionalização constantemente forma as
carreiras do paciente, de pessoas cronicamente doentes mentais.
Antes deste advento, a maioria destes indivíduos mais cedo ou
mais tarde acabaria num hospital de estado mental, onde eles tenderiam
a ficar um longo tempo, freqüentemente por toda vida. Hoje,
precisamente, com o resultado da desinstitucionalização, a maioria
das admissões nos hospitais mentais ocorre antes de poucos dias ou
semanas, não poucos meses ou anos, muito menos que o tempo de vida.
Aumentar os números dos indivíduos cronicamente doentes mentais
nunca é admitido para
condição de todos os hospitais mentais.
(Pepper e outros, 1981).
Contudo,
apesar desta complexidade, a desinstitucionalização é freqüentemente
definida estreitamente na literatura e é comparada unicamente com o
estado do despovoamento dos hospitais, uma interpretação que aumenta
algumas conclusões basicamente errôneas. Um entendimento
apropriado do conceito deveria permitir para a variedade de práticas
de desbloqueio, às vezes eufemisticamente referidas ao desvio como
admissão, que mantém muitas pessoas mentalmente doentes de qualquer
uso do estado dos hospitais em primeiro lugar. Isto deveria também
dominar o clima dos direitos civis, os quais, enquanto tem efeitos
positivos em proteger a cidadania de algumas pessoas que são
mentalmente doentes, tem ao mesmo tempo desencorajado outros de
procurar a ajuda em sistema de serviço de saúde mental.
Quando
a definição da desinstitucionalização é bastante ampla para
cobrir o estado de despovoamento do hospital, desviam-se as admissões,
e os indivíduos não servidos que o sistema pode ter declarado, não
é facilmente quantificado, influente aos “sem-lar” entre os indivíduos
cronicamente doentes mentais.
(Bermett e outros 1988; Instituto de Medicina 1988; Marcos e
outros 1990; Rossi 1989; Torrey 1988).
Várias pessoas, incapazes pelas suas doenças psiquiátricas e
incapazes de ter acesso a uma casa apropriada para si, experimentam a
única forma de ser excluídas do estado dos hospitais mentais que
historicamente tem executado várias funções em seu interesse,
incluindo fornecer um meio-ambiente residencial estável.
Deste
modo, a resposta para a pergunta de como a desinstitucionalização
tem afetado os “sem-lar” entre os indivíduos crônica e
mentalmente doentes que dependem inteiramente de nossa boa vontade em
visualizar os efeitos daquele sistema de uma maneira global e
compreensiva, ao invés de focar somente os débitos facilmente
contados nos estados dos pacientes do hospital.