PROGRAMA DE
ATENDIMENTO A PACIENTES
PSICÓTICOS PROCESSUAIS
INTRODUÇÃO
José
Blaya Perez Filho
Psiquiatra graduado da Associação Encarnación Blaya
- Clínica Pinel. Trabalho supervisionado pelo Dr. Marcelo Blaya
Perez
Um bebê dorme em seu berço.
Não é provável que tenha mais do que três meses. Parece sereno e
tranqüilo - eventualmente mexe levemente seus dedos e por vezes parece
sorrir. Não há expressão em seu sorriso - é antes uma contratura
muscular que se dissipa abruptamente e a face se descontrai.
Súbito, a um ruído,
acorda-se num choro convulso e incontrolável. Há pânico em sua
expressão e agita-se freneticamente no leito. Tudo indica um ser que
sofre e é incapaz, com seus recursos, de se acalmar. A mãe atenta
toma-o nos braços, com firmeza e fala carinhosa. Mais do que o conteúdo
de suas palavras o tom indica que ali está alguém capaz e confiável.
Como se algo mágico ocorresse, a criança se tranqüiliza.
Esta é uma cena comum de
todos os nossos lares. Nada de inusitado ou espetacular, mas repleta de
perguntas e mistérios a um observador atento. Para efeitos deste
trabalho quero apenas destacar o aspecto inefável da relação. Um
pequeno ser, que ainda não dispõe da palavra como meio de comunicação,
e frente a uma experiência de pânico e angústia é tranqüilizado por
um adulto que se utiliza apenas de seus próprios recursos pessoais.
Nada foi ensaiado, preparado ou aprendido. Nenhum sofisticado meio de
comunicação foi utilizado. É como se apenas o contato pele-pele
estivesse revestido de todos os poderes tranqüilizadores.
A ênfase desta introdução
está na existência de um complexo e eficiente meio de inter-relação
que preexiste a todas as formas de comunicação interpessoais humanas.
O que de resto não é estranho ou novo a qualquer observador do mundo
animal, em especial dos mamíferos. Há no mundo particular da relação
mãe-bebê um interjogo emocional que não pode ser expresso em termos
adultos porque neste nível
da relação não existem a lógica e a coerência próprias do raciocínio
adulto.
Quando trabalhamos e
convivemos com pacientes psicóticos no hospital, notadamente numa
Comunidade Terapêutica onde desenvolvemos nossa experiência, somos
testemunhas de uma relação similar e igualmente particular que ocorre
entre estas pessoas e seus terapeutas.
A experiência descrita
neste trabalho refere-se a um conjunto de hipóteses, observações e
conclusões relativas ao desenvolvimento de uma atividade especial - a
Atividade Para Pacientes Mais Necessitados.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O conhecimento psiquiátrico
tradicional tem considerado a participação de pacientes em atividades
com um meio terapêutico e como um parâmetro de progresso.
Foi, no entanto, o
trabalho psicanalítico com crianças de Melanie Klein que demonstrou
uma compreensão profunda da importância da atividade lúdica no
desenvolvimento normal da criança e a formulação teórica aplicável
a quadros psicóticos adultos.
No início de seu trabalho
psicanalítico com crianças, Klein observou que a criança expressa
suas fantasias e ansiedades através do brincar. Concluiu que a atitude
da criança para com o brinquedo era muito reveladora de fantasias de
ataque e reparação. Por exemplo: danificar um brinquedo que represente
um irmão faz com que se afaste deste brinquedo devido ao medo persecutório
do objeto danificado por temer que ele tenha se tornado perigoso e
vingativo. O sentimento de perseguição pode ser tão intenso que
encubra os sentimentos de culpa e depressão, ou estes podem ser tão
fortes que levem a uma intensificação dos sentimentos de perseguição.
Quando o material podia ser interpretado adequadamente ela observava uma
melhora da relação da criança com aquele irmão representado pelo
objeto. Reputava como importante no terapeuta uma compreensão das
flutuações entre amor e ódio, felicidade e depressão, satisfação e
ansiedade persecutória. O analista deve ser capaz de não demonstrar
desaprovação se a criança destroça um brinquedo, não o incita a
expressar sua agressividade nem sugere que o brinquedo possa ser
reparado. Deve permitir que a criança experimente suas emoções e
fantasias como elas aparecem, para poder compreender e interpretar a
mente da criança livre de influências educativas e morais.
O estudo da obra de Klein
animou-nos a tentar uma adaptação aplicável ao adulto psicótico. Uma
modificação técnica importante que se apresenta é a de que o adulto,
ainda que regressivo e aproximando-se de um comportamento infantil,
continua sendo um adulto. Optamos por uma técnica não interpretativa,
mas igualmente isenta de conotações educativas ou moralistas. As
fantasias de ataque podem ser expressas nas atividades livremente. A função
do terapeuta é a aceitação das projeções sem revide e sobreviver a
elas como um ser livre e independente e portanto capaz de gratificar. O
terapeuta é generoso e compreensivo exceto se interpuser a agressão física
real contra alguma pessoa. Um exemplo pode auxiliar o entendimento. Uma
residente está reunida com alguns pacientes para fazer pintura em
papel. Um dos pacientes, ávido e excitado, começa a gastar inúmeras
folhas, uma atrás da outra, expressando fantasias agressivas e vorazes.
Em poucos minutos as folhas disponíveis se esgotam. A terapeuta percebe
que ele não vira duas delas em baixo de uma pasta e disse com tranqüilidade:
Aqui ainda tem mais duas! O paciente pareceu surpreso, recusou e disse
que não as “estragaria” pois poderia vir mais alguém e serem
necessárias. O exemplo destaca que uma atitude neutra, não retaliadora
e desvinculada de idéias de certo-e-errado, feio-e-bonito podem levar o
paciente a uma situação de compreensão interna. A “teoria de
cura” do paciente envolve, através de identificações projetivas
maciças, enlouquecer ao outro na crença de que assim ele próprio se
alivia. O terapeuta aceita ser o receptáculo destas projeções mas
precisa se manter livre e não age de acordo com o controle onipotente
proposto pelo paciente.
Nossa expectativa teórica
envolve uma experiência em três tempos: no primeiro o paciente
anima-se a romper seu compromisso com o autismo e aproxima-se de seus
objetos internos representados pelo terapeuta e a realidade externa; no
segundo momento, e através da atividade, o paciente expressa sua violência
e hostilidade com liberdade e o terapeuta o acompanha como companheiro
capaz de compreender e aceitar, mas mantendo-se livre do controle
onipotente; a terceira fase envolve a culpa e a reparação na qual o
paciente é capaz de reconstruir seus objetos internos através do
processo depressivo.
DESENVOLVIMENTO
DO PROGRAMA
O paciente é identificado
como mais necessitado por seu terapeuta assistente e isto é comunicado
aos demais membros da equipe através de uma prescrição. Na organização
da Comunidade Terapêutica é a única atividade que independe de
iniciativa do paciente para sua inclusão no grupo. As relações de
tempo e espaço estão a um nível de compromisso mínimo. O autismo e
as formas bizarras de conduta são aceitas, respeitadas e acolhidas. O
trabalho do terapeuta é o de introduzir pequenas cunhas de realidade
contrapartida, através do manuseio de matérias simples.
O material é escolhido
por suas características e ao gosto do terapeuta. A experiência
tem-nos feito optar por materiais e atividades como argila, pintura em
papel, pintura em argila, colagem, instrumentos musicais simples,
pequenos jogos de montar, jogo de bola, desenho e lixação. Todos os
pacientes necessitados da unidade são convidados pessoalmente por todos
os terapeutas, diariamente, para participarem de suas atividades.
Tomamos o cuidado de manter uma constância quanto à atividade, horário,
local e tempo de duração. Assim no decorrer de poucos dias o paciente
é capaz de identificar “Dr. João” com argila e com 15 horas. Para
que se possa valorizar melhor esta constância basta relembrar a
recomendação da raposa ao Pequeno Príncipe na obra de Saint-Exupèry
quando lhe sugere que venha sempre na mesma hora, pois assim com antecedência
ela já pode ficar feliz.
Habitualmente são
ofertadas entre quatro e sete atividades diárias por terapeutas
diferentes e em horários diferentes possibilitando ao paciente
participar de quantas desejar. Todos os terapeutas, do chefe de unidade
ao residente menos experiente, estão compromissados com a tarefa que
assume um caráter prioritário sobre todas as outras da unidade. A
atividade é sempre desenvolvida no ambiente-de-estar da unidade
dando-se a liberdade ao paciente de chegar e retirar-se do local quando
lhe aprouver dentro dos cinqüenta minutos que dura cada período. O
exemplo clínico abaixo tenta uma melhor compreensão:
Um paciente melancólico,
setenta e três anos, aposentado, é admitido por vir num quadro de
apatia, ansiedade, ideação suicida, insônia e eventuais crises de
agitação e agressividade. Vinha doente há vários anos e
encontrava-se inativo. O quadro foi precipitado por uma enfermidade cardíaca
que limitou e modificou significativamente seus hábitos de vida. Não
participava das reuniões de grupo operativo da unidade e era hostil às
tentativas de aproximação por parte da equipe e companheiros. Desde o
início participava dos trabalhos de argila, tarefa coordenada por seu
terapeuta assistente. Limitava-se a amassar o barro em suas mãos
lentamente. No decorrer de duas semanas conseguia moldar grosseiramente
um simulacro de cinzeiro. Por esta época já era um homem mais acessível
e começara a participar das reuniões de grupo operativo. Quando
conseguiu finalmente concluir seu primeiro cinzeiro ofertou-o ao
terapeuta dizendo-lhe que ao longo dos últimos anos era a primeira
coisa de seu que conseguia fazer. Nas duas semanas que precederam a alta
conseguiu desenvolver um bom trabalho como Paciente-Atendente, uma ocupação
bem mais sofisticada e complexa. É possível que uma relação
bipessoal tolerante e satisfatória possibilite novas experiências
multipessoais gratificantes, e um gradual desenvolvimento das
capacidades perdidas do paciente.
O exemplo parece-me típico,
se bem não se possa estabelecer regras definidas de desenvolvimento. Não
raro somos testemunhas de acompanhamentos bem mais longos e de
movimentos mais lentos do paciente. Se acompanharmos o desenvolvimento
de um ovo uma situação semelhante pode ser observada. Visto de fora, o
observador tem a impressão de que tudo está estático, nada acontece,
mas se lhe for possível abrir uma pequena janela que permita visualizar
o interior constatará o turbilhão de mudanças que culminarão com um
novo ser independente ao final de três semanas. Cada paciente nosso
necessita de um tempo de gestação própria e individual e qualquer
tentativa terapêutica de apressar o processo é danosa. A experiência
da participação em atividades especiais como as descritas só é possível
num clima em que se respeitem as manifestações do indivíduo e se
esteja atento ao tamanho de seus passos, para saber quanto durará a
caminhada.
OBJETIVOS
Este programa
visa:
§
Estimular a capacidade de integração do paciente com os
demais grupos dentro de seus limites e possibilidades;
§
Promover no paciente maior aceitação de si mesmo;
§
Redescobrir suas capacidades não psicóticas;
§
Levá-los a perceber que são capazes de executar tarefas
simples e úteis para si mesmos e para os outros;
§
Estimular o cuidado, capricho e asseio com a aparência
pessoal;
§
Despertar neles vontade
de participar de atividades com outros pacientes;
§
Criar hábitos de higiene;
§
Evitar que o paciente se isole;
§
Aumentar a auto-estima;
§
Melhorar o contato com a realidade objetiva;
§
Estimular o afeto entre os internos, diminuindo o nível de
agressividade;
§
Desenvolver atitudes mais adequadas;
§
Diminuir a ociosidade;
§
Restabelecer a confiança em si mesmo e nos outros;
§
Apoiar e orientar a família do paciente;
§
Diminuir as reinternações;
§
Comprometer a família
no tratamento e recuperação do paciente e manutenção da
mesma;
§
Levar a família a acompanhar o desenvolvimento do
paciente;
§
Levar a família a aprender com o terapeuta, o modo
tolerante de aceitar as dificuldades transitórias do paciente.
JUSTIFICATIVA
O Programa de Atendimento
a pacientes psicóticos processuais (Quadros Psicóticos Orgânicos
Senis e Pré-Senis; Quadros Psicóticos Orgânicos Transitórios; Outros
Quadros Psicóticos Orgânicos e Psicoses Esquizofrênicas) visa:
assegurar um tratamento adequado a esses pacientes, atenção especial,
visto que os mesmos têm maior comprometimento de suas funções psíquicas
e maior dificuldade adaptativa, visa também um maior envolvimento e
compromisso da família com o tratamento do paciente, uma vez que
normalmente a tendência da família é deixar a cargo do hospital toda
a responsabilidade do tratamento e muitas vezes negligenciando o
tratamento, não dando continuidade à medicação em casa e às
condutas orientadas pelo médico ou terapeuta, provocando assim a recaída
do estado de saúde do paciente e conseqüente reinternação. Mesmo
porque a família envolvida com a doença do paciente age muitas vezes
inconsciente e também necessita de apoio e orientação.
ATIVIDADES
PLANEJADAS
A atividade para o
paciente mais necessitado é prescrita pela equipe multiprofissional que
o atende para o Programa de Atendimento aos Pacientes mais Necessitados
independentemente do pedido manifesto do paciente. Esse é um dos
primeiros cuidados para com ele.
O terapeuta vai ao seu
encontro, e o convite para que participe da atividade é feito
pessoalmente. Na ocasião, o paciente é chamado por seu nome, o
terapeuta se apresenta e comunica a ele o tempo que terão juntos e como
poderão utilizá-lo sendo respeitado seu desejo de não participar.
A AMN* é realizada sempre
em um mesmo local e de fácil acesso.
Cada terapeuta oferece vários
períodos de 50 minutos durante a semana, e todos os pacientes, com esta
prescrição, são convidados para a atividade.
O material utilizado é
simples – papel, tintas, lápis, cola, revistas, barro – e o
terapeuta mantém em seu horário a mesma atividade. De preferência,
também se utiliza um mesmo horário com a finalidade de que o menor número
de variáveis seja oferecido.
A postura fundamental do
terapeuta em AMN* é a tolerância. Essa atitude permite que o paciente
utilize, ou não, o material, chegue ao final ou saia antes, guarde para
si, ofereça ou pendure no mural da sala de terapia ocupacional o seu
trabalho.
Não se interpreta o que
é feito. Valoriza-se o contato e a tentativa que o paciente realiza de
executar uma tarefa. A tolerância e a ausência de atividades críticas
criam, normalmente, um ambiente descontraído onde o paciente se
expressa livremente.
É comum o paciente
tentar, seguidamente, se apoderar do material de outras pessoas, o que
é trabalhado discriminando-se com o paciente o que é seu do que não o
é.
O terapeuta deixa a posição
tolerante apenas quando se configura uma situação de agressão física,
que é manejada em “grupo de 8”.
O ritmo da evolução na
atividade é sempre dado pelo paciente. Nossa observação é a de que
nem sempre isso ocorre sem retrocessos.
* AMN – Atividade para o
paciente mais necessitado
GRUPO
DE DRAMATIZAÇÃO
É
fundamentalmente uma criação, é uma ação de imagens contidas no
complexo mundo do doente mental, representando um diálogo eficaz
consigo mesmo.
Quando realizado
livremente, deixando-se que o paciente extravase toda a sua
potencialidade emocional, funciona como um agente de encenação da própria
vida.
Ensina ao doente normas
sociais, como a colaboração, obediência e cavalheirismo, desenvolve o
raciocínio e a criatividade através da improvisação e estímulo
necessário.
É uma atividade de
característica grupal, com grande sentido de socialização. Deve
reinar um clima livre de tensões, deve haver muita espontaneidade, mais
interessante, ainda que nasçam do próprio grupo as formulações das
peças, as músicas, os cenários, as máscaras, as roupas etc.
Pois, por mais simples que
nos pareça, tendem a exprimir, as vivências, os conflitos, e desejos
dos doentes.
A encenação funciona
como um exercício de concepção de espaço (deslocamento, dominação
e a percepção de si mesmo).
ATIVIDADES
EXPRESSIVAS
As
atividades expressivas tais como: pintura, colagem, recorte não só
proporcionam esclarecimentos para processos patológicos através da análise
de seus conteúdos, mas que se constitui num verdadeiro agente terapêutico.
Tais atividades podem ser
utilizadas pelo doente mental como um instrumento de organização de
seu psiquismo, levando-o à realidade.
MODELAGEM
EM ARGILA E MASSA
É importante em termos de
expressão terapêutica e é uma atividade que apresenta um caráter
disciplinar. A argila é empregada principalmente para pacientes mais
regredidos por trabalhar com a liberação da agressividade.
COMISSÃO
DE HIGIENE AMBIENTAL
-
JUSTIFICATIVA:
O Hospital São João
através da C.H.A., vem oferecer ao indivíduo (paciente) oportunidade
de estabelecer comportamentos e hábitos que foram prejudicados pela
doença, bem como cuidados de higiene pessoal, estimulando também o
interesse dos pacientes à higiene ambiental.
A partir do momento em que
o paciente começa a se interessar e se integrar em atividades
rotineiras como: arrumar camas, varrer os quartos e se preocupar com a
higiene, ele estará se adaptando novamente ao convívio interpessoal
adequado, resgatando assim seu vínculo sócio-familiar.
- OBJETIVO
GERAL
Resgatar o convívio sócio-familiar,
através de um trabalho em equipe e de cooperação.
- OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- estimular
o autocuidado;
- incentivar
o trabalho em equipe;
- estimular
a cooperação entre os pacientes;
- orientar
os pacientes na manutenção do ambiente terapêutico, bem como sua
limpeza e higiene.
- ATIVIDADES:
- arrumação
das camas,
- varrer
quartos e corredores;
- limpeza
dos pátios, salas de TV e banheiros;
- limpeza
dos leitos e enfermarias;
- vistoria
diária.
Obs.: Como estímulo pelo esforço e
interesse nas atividades diárias, os pacientes participam de uma reunião
de confraternização semanal com entrega de certificados aos que melhor
se desempenharam durante a semana.
ATIVIDADES
RECREATIVAS
As atividades recreativas
são realizadas com bola, corda, latas, argolas, petecas, cantigas de
roda, atividades com arcos, com bastão, etc.
Estas
atividades proporcionam grande prazer aos pacientes e por isso são
bem aceitas pela maioria deles. Elas ajudam o paciente a integrar-se ao
meio social, colaborando com o desenvolvimento intelectual e emocional.
ATIVIDADES
FÍSICAS
A atividade física é de
fundamental importância, sendo que o espírito competitivo deve ser
incentivado.
Visa proporcionar ao
paciente psiquiátrico condições que favoreçam a sua integração na
sociedade, promovendo alternativas diferenciadas seguindo os princípios
básicos de normalização, integração e individualização.
Um programa esportivo,
quando feito adequadamente, baseado sempre na etapa mental, cronológica
e motora, propicia um desenvolvimento orgânico satisfatório pela
melhoria do sistema cardiovascular e respiratório, tônus muscular,
ajuste postural, maior agilidade, flexibilidade e ampliação dos
movimentos.
A terapia auxilia no
esquema corporal, coordenação dinâmica geral (grosseira e fina),
equilíbrio estático e dinâmico, dominância lateral, orientação e
estrutura espaço-temporal, relaxamento global, segmentário associados
à respiração e ainda no desenvolvimento da noção de velocidade e
força.
Proporciona a liberação de sentimentos como agressividade,
medo, frustração, repressão etc.
COMISSÃO
DE HORTICULTURA
INTRODUÇÃO:
A
Terapia Ocupacional é uma forma de tratamento que utiliza a atividade
como recurso terapêutico, onde, através da dinâmica que se estabelece
na relação da tríade terapêutica - paciente - atividade, previne,
trata e integra, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos indivíduos
com problemas físicos, mentais e / ou sociais.
A
Terapia Ocupacional tem como princípio primordial à integração
global do indivíduo, partindo desse pressuposto teórico e da vivência
prática neste Hospital, sentimos a necessidade da elaboração de um
programa de horticulturas para os pacientes psicóticos
processuais.
OBJETIVOS:
- Promover maior integração do
indivíduo.
- Promover a autovalorização e o autocuidado.
- Proporcionar sentimento de produtividade, responsabilidade
e iniciativa.
- Enfatizar a dinâmica da participação e cooperação em
uma atividade grupal.
CRITÉRIOS PARA
ADMISSÃO DO PACIENTE NO GRUPO:
A organização deste
trabalho inicia-se dentro do próprio hospital, através de uma triagem
dos pacientes, realizada pela equipe multiprofissional, com o objetivo
de constatar os seguintes itens:
- Aptidão
- Interesse
- Capacidade
- Nível de
agressividade
- Risco de fuga e / ou
suicídio.
OPERACIONALIZAÇÃO:
As atividades deverão ser
realizadas com tarefas e rotinas pré-determinadas, com o acompanhamento
de um técnico, que promoverá a manutenção dos objetivos
anteriormente citados.
Operacionalizando a rotina, as atividades serão desenvolvidas às
segundas, quartas e sextas-feiras das 16 às 17 horas
As
atividades terão uma seqüência, por exemplo, vão desde a preparação
do solo até a colheita. A duração das atividades será de 2 horas,
sendo que há intervalos para água e banheiro, de acordo com a
necessidade de cada um, lembrando que encerrando as atividades, os
pacientes recolherão seus respectivos instrumentos de trabalho e farão
sua higiene pessoal.
RECURSOS
MATERIAIS:
-
Enxadas
-
Regadores
-
Rastelos
-
Pá
-
Carriola
-
Chapéu
-
Botas
ATIVIDADES
PROPOSTA:
-
Preparação dos canteiros
-
Preparação do solo -
afofar terra
- colocação de adubo
-
Plantio
-
Limpeza
-
Irrigação
-
Colheita
ALFABETIZAÇÃO
OBJETIVO:
Alfabetizar os pacientes
buscando desenvolver seu raciocínio dentro de suas possibilidades,
oferecendo uma atividade extra, desenvolvendo condição ao paciente de
adquirir novos conhecimentos e proporcionando condições de maior
interação com o meio.
O paciente será integrado
a um processo gradativo de aprendizagem que terá por alvo permitir-lhe
a:
- Associar o som à
gravura;
- Repetir o som e
transcrevê-lo;
- Leituras e cópias
de sílabas, palavras, frases, e textos.
-
Ilustração
- Narração e
reprodução de textos
- Ditado
METODOLOGIA:
Os pacientes serão
encaminhados para esta atividade através da equipe multidisciplinar.
As aulas serão ministradas na sala de Terapia Ocupacional
masculina, formando grupos de mais ou menos 40 pacientes, no período
das 10:00 horas às 11:00 horas, todos os dias.
A avaliação do conteúdo será constante, diária, através de
observações, diálogos e testes.
RECURSOS
MATERIAIS:
- papel almaço
- papel sulfite
- cadernos
- lápis
- borrachas
- apontadores
- lápis de cor
- giz
- sacos plásticos
para guardar os materiais dos pacientes
- apagador
COMISSÃO
DE PASSEIO
Este
é um projeto que visa reestruturar as possibilidades dos pacientes
processuais a um ajustamento social, buscando uma melhor integração
dos mesmos na sua rotina hospitalar e/ou extra-hospitalar.
Cada atividade
extra-hospitalar realizada deverá reintegrar alguma função social,
devendo inserir numa atmosfera terapêutica completando-se entre si.
A organização desta
atividade inicia-se através de uma triagem dos pacientes, realizada
pela equipe multiprofissional e com autorização escrita pelo familiar
responsável.
As atividades deverão ser
realizadas com tarefas e rotinas pré-estabelecidas, com o
acompanhamento do terapeuta responsável.
EXPRESSÃO
CORPORAL
Os distúrbios mentais
levam às alterações parciais ou totais do esquema corporal de acordo
com a intensidade ou gravidade do sistema emocional, onde a capacidade
de elaboração de idéias ou formulação de frases reflete o estágio
dos cuidados do próprio físico.
O paciente psiquiátrico
deve ser trabalho em grupo ou individualmente de acordo com a sua
capacidade de resposta, atividade sob comandos, coordenação motora,
equilíbrio e força.
Através do movimento
podemos desenvolver consciência corporal, percepção de direção, do
espaço, da forma, conceitos de tempo e também percepção de cor,
conceito de número, dominância lateral e ampliação do vocabulário.
Ao solicitar atividades
verbalize todos os movimentos citando os objetos envolvidos e partes do
corpo ao demonstrar.
Sempre que utilizar um
material novo deve mostrá-lo, nomeá-lo e demonstrar as possibilidades
de movimentá-lo e permitir que o paciente o faça livremente.
As atividades descritas
podem ser diversificadas quanto ao material e formas utilizadas, número
de repetições, cores utilizadas, distância, duração, solicitação
verbal.
Iniciamos com desenvolvimento do esquema corporal e organização
perceptiva.
Exemplos
- em pé:
- apoiado
na planta dos pés
- apoiado
na ponta dos pés
- apoiado
nos calcanhares
- apoiado
na borda externa dos pés
- apoiado
na borda interna dos pés
- apoiado
num pé só, direito e esquerdo
- bater
com os pés no chão (fraco e forte)
- arrastar
os pés no chão
Nesta seqüência poderá variar a frente do corpo:
de lado, frente e costas para o terapeuta.
Em pé, deitado em decúbito dorsal, sentado, de
joelhos, sentado nas pernas:
- bater
um punho no outro
- abrir
e fechar as mãos
- encostar
dedo por dedo
É importante que o
paciente experimente com o corpo todas as posições no espaço que
conseguir realizar, em pé, decúbito dorsal, decúbito lateral,
ventral, de joelhos, em quatro apoios, inclinada, de cabeça para baixo
e pendurada.
- rolar
no chão com braços acima da cabeça e pernas estendidas
- engatinhar
sobre o abdome
- engatinhar
sobre os apoios
- pegar
e largar objetos grandes e pequenos (bolas, bastão, aros, raquetes,
coroas)
- entrepassar-lhes
os objetos por cima, por baixo e pelo lado
- dois
a dois sentar frente a frente com as pernas abertas:
- rolar a bola em direção
ao outro
- jogar
por cima da cabeça
- jogar com uma das mãos
direita e esquerda
Após, vá diminuindo o tamanho da bola e varie o
objeto.
Andar:
- para
frente
- para
trás
- para
o lado (direito e esquerdo)
- arrastando
os pés
- na
ponta dos pés
- nos
calcanhares
- entre
objetos espalhados
- entre
duas linhas paralelas traçadas na distância 20 cm uma da outra
- sobre
uma corda no chão com os pés descalços
- em
volta de figura (quadrado, círculo, estrela, etc.)
- em
passos largos e estreitos
- sobre
figuras de diversas cores
- marchar
erguendo os joelhos
- andar
sobre as nádegas
Atividades com bola:
- pendurar
e pedir que golpeiem:
- com a mão fechada
- com a palma da mão
- com o dorso da mão
- ponta dos dedos um
por um
- usando bolas de
diversos tamanhos iniciando com as maiores e mais leves:
- rolar bolas no chão
- jogar para cima
- jogar para baixo
- jogar para o
companheiro
- espalhar bolas de
diversas cores e pedir que peguem todas as vermelhas, por exemplo:
colocar uma entre as pernas e pular
Atividades com o saco de areia:
- Segurar
um com uma mão
- Levantar
e abaixar
- Andar
- Correr
Atividades com pneus:
- colocar
no chão vários pneus próximos
- andar
colocando os pés dentro deles
- pular
dentro deles
- rolar
o pneu no chão
Obs.: Os exercícios poderão ser criados pelo
terapeuta de acordo com a necessidade do paciente.
JOGOS
EDUCATIVOS
Os
Jogos Educativos ajudam na coordenação motora e na aquisição de
conceitos como formas, tamanhos e cores. Desenvolvem habilidades manuais
que preparam o paciente para atividades da vida diária, ajudando a
formar conceitos corporais e estimulando o raciocínio e noção de
quantidade, tempo, espaço e lugar.
CONCLUSÃO
A observação de uma cena
corriqueira, a relação inefável que se estabelece entre qualquer mãe
e seu bebê, é o ponto de partida para uma formulação teórica e uma
aplicação prática de um trabalho especial com pacientes regressivos
numa Comunidade Terapêutica. É destacada a importância de uma forma
de comunicação pré-verbal que ocorre na relação particular mãe-bebê
utilizada como paradigma de todas as futuras relações. A analogia
entre o comportamento infantil normal e o que se observa em alguns
quadros psicopatológicos adultos onde ocorre a regressão sugere que o
mesmo tipo de aproximação possa ser tentado com pacientes psicóticos.
A atividade lúdica é introduzida como um objeto intermediário em
torno do qual pacientes e terapeutas desenvolvem suas experiências. O
desenvolvimento da técnica observa uma constância de tempo, lugar,
pessoas e principalmente um respeito pelo autismo e isolamento do
paciente enquanto ele precisar deste comportamento como forma de proteção
de seu self.
A relação mais próxima
do terapeuta com o paciente, concretizada na AMN, possibilita alívio da
ansiedade, rompimento do autismo e ampliação das possibilidades de
relacionamento.
A postura tolerante do
terapeuta para com o ritmo do paciente e das suas manifestações
emocionais viabiliza a AMN.
O amadurecimento da equipe
terapêutica, que implica o aumento da capacidade de se aproximar e
suportar a loucura, é condição “sine qua non” para a implantação
de um programa específico de atendimento ao paciente mais necessitado.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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na Comunidade Terapêutica 1º Nível: As atividades para
Pacientes mais Necessitados. Arq. Clín. Pinel, IV, (1/2/3): 29-33, 1978
2) FREUD, S. A
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Ódio e Reparação. Rio de Janeiro, Imago, 1975.
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Janeiro, Zahar, 329 p. 1969.
5) KLEIN. M. O
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6) OLIVEIRA, E. Comunidade
Terapêutica e Violência: O Controle Democrático. Arq. Clín.
Pinel, IV (1/2/3): 50-55, 1978.
7) SIVADON, P. & CHANOIT, P. Uma
Experiência Francesa em Socio-terapia. Folheto.
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